quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nosso jeito barroco de ser 


BARROCO



O Barroco sucedeu o Renascimento, abrangendo do final do século XVI ao final do século XVIII, estendendo-se a todas as manifestações culturais e artísticas europeias e latino-americanas.
 O momento final do Barroco, o Rococó é considerado um barroco exagerado e exuberante, e para alguns, a decadência do movimento.
 Esse trabalho tem por objetivo apresentar aspectos gerais da literatura barroca principalmente no Brasil. É importante observar que não se pretende esgotar o assunto, nem mesmo em relação à literatura barroca brasileira, visto que a bibliografia é muito extensa. 

No entanto, o interesse nesse trabalho está em mostrar o barroco não só como um estilo artístico e literário, mas também, um estilo que perdura em outras épocas. 
Este trabalho pretende enveredar pela literatura barroca no Brasil, no sentido de mostrar heranças e limites cronológicos, as principais características e seus principais representantes da época, bem como a repercussão do estilo literário barroco utilizado por demais artistas do mundo contemporâneo. Para cumprir esses objetivos, o método utilizado foi de uma pesquisa bibliográfica sobre o conceito da arte barroca literária brasileira junto à utilização de diferentes livros poéticos.
  
                                                
                                                 CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA BARROCA

Culto do contraste: o dualismo barroco coloca em contraste a matéria e o espírito, o bem e o mal, Deus e o Diabo, céu e a terra, pureza e o pecado, a alegria e a tristeza, a vida e a morte.
 Consciência da transitoriedade da vida: a idéias de que o tempo consome, tudo leva consigo,e que conduz irrevogavelmente a morte, reafirma os ideais de humildade e desvalorização dos bens materiais, ou seja sem apego aos bens materiais.
Gosto pela grandiosidade: característica comum expressa com o auxilio de hipérboles, ou seja exageros, figura de linguagem que consiste em aumentar exageradamente algo a que se estar referindo.
 Frases interrogativas: que refletem dúvidas e incertezas, questionamentos: “que amor sigo? Que busco? Que desejo? O que quero da vida?
Cultismo: é o jogo de palavras, o estilo trabalhado. Predominam hipérbole, hipérbatos (isto é, alteração da ordem natural das palavras na frase ou das orações no período) e metáforas (comparações), como: diamantes que significam dentes ou olhos.
Conceptismo: é o jogo de idéias ou conceitos, de conformidade com a técnica de argumentação. É comum o uso de antítese, ou seja idéias contrárias, paradoxos. enquanto os cultistas tinham a visão direcionada aos sentidos, já os conceptistas eram direcionados a inteligência

O BAROCO NO BRASIL
Este movimento só se tornou realidade no Brasil quando a exploração das minas de metais preciosos em Minas gerias deu oportunidade para o surgimento de novas cidades e vilarejos, pois com elas vieram também a cultura e a arte. Um exemplo foi a :

                                                                         ARQUITETURA BARROCA
Teve sua visão voltada para e construção de fortalezas, casas de engenho, igrejas pertencentes a muitas ordens como a dos beneditinos. Alguns de seus principais representantes foram: Francisco Frias de Mesquita, que veio para o Brasil em 1603; Francisco Dias , que foi um jesuíta e que projetou a primeira igreja jesuítica no Brasil; Francisco dos Santos, teve sua atuação em Olinda, foi arquiteto e também franciscano, seus projetos foram: a igreja de Nossa Senhora das Neves e o convento de São Francisco;Macário de São João, ele foi frei beneditino, que teve entre os seus principais projetos, o Convento de Santa Teresa, o Mosteiro de São Bento Casa de Misericórdia, em Salvador.
Francisco Xavier de Brito foi escultor português, radicando no Brasil, acabou influenciando a obra do mestre Aleijadinho;
Antonio Francisco Lisboa, também conhecido como o Aleijadinho, visto como o maior gênio da arte brasileira.
 Capela Dourada da Igreja da Ordem Terceira
 de São Francisco de Assis, no Recife,
 construída e decorada entre 1696 e 1724.

 A colonização do Brasil se deu inicialmente pela costa litorânea, onde atracaram as primeiras fragatas e por onde começou a exploração do território. Os lugares geográfica e estrategicamente mais adequados à construção e à defesa deram origem às primeiras vilas. Em algumas delas foram rezadas missas inaugurais, muitas foram batizadas com nomes de santos, e todas ganharam igrejas ou capelas.
Com o avanço da colonização e o desenvolvimento da atividade extrativista, algumas vilas transformaram-se em importantes cidades, em que se refletia o poderio econômico da Coroa.
Recife - As principais cidades nordestinas enriqueceram rapidamente com a produção açucareira. Dessa prosperidade resultaram muitas manifestações artísticas e arquitetônicas de grande porte e ostentação.


 No interior da Igreja de São Francisco, em Salvador, que começou a ser
 construída em 1708, impressiona a variedade de materiais nobres usados
 na decoração, como o ouro, a azulejaria e o jacarandá         
A conveniente combinação entre o enriquecimento brusco e os objetivos da arte religiosa originou obras e templos exemplares do chamado barroco litorâneo, erguidos com materiais nobres e decorados conforme os padrões ibéricos vigentes à época.
Recife foi uma dessas cidades em que sobreviveram importantes edificações religiosas, apesar de conflitos e destruições decorrentes da disputa por suas terras.
Salvador - A economia açucareira promoveu o desenvolvimento acelerado de algumas cidades do Nordeste do país durante a colonização.



GREGÓRIO DE MATOS Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador, Bahia, em 7 de abril de 1636. Faleceu em Pernambuco, em 1696. 
De família abastada, Gregório estudou com os jesuítas de Salvador. Em 1650, com 14 anos, embarcou para Portugal (Lisboa), aonde foi com o propósito de estudar Direito. 
Matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se formou em julho de 1661 e passou a exercer a magistratura. 
Interrompeu a carreira de juiz para voltar ao Brasil (por volta de 1680). Supõe-se que, nessa altura, já teria feito conhecer o seu talento de repentista e zombeteiro.
POESIA SATÍRICA – Apesar de ter exercido funções religiosas e de ter um irmão padre (Eusébio de Matos), Gregório não perdoa a Igreja Católica baiana: faz sátiras ferinas contra padres e freiras, chegando mesmo a usar palavrões em pleno século XVII. 
E nos frades há manqueiras?... Freiras... 
E que ocupam os serões?... Sermões. 
Não se ocupam em disputas?... Putas. 
Com palavras dissolutas 
Me concluís, na verdade, 
Que as lidas todas de um frade 
São freiras, sermões e putas. 
Veja o que disse o poeta sobre a Sé da Bahia, órgão central da Igreja Católica no Brasil: 
A nossa Sé da Bahia, 
com ser um mapa de festas, 
é um presepe de bestas, 
se não for estrebaria. 
Várias bestas cada dia, 
vemos que o sino congrega: 
Caveira, mula galega, 
o Deão, burrinha parda, 
Pereira, besta de albarda, 
tudo para a Sé agrega. 
Depois de ridicularizar a Igreja Católica, Gregório voltou sua pena satírica contra o governador-geral da Bahia, Antônio de Sousa Meneses, que esteve à frente do governo de maio de 1682 a junho de 1684.

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